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Controle de ponto e saúde mental

Atualizado: 24 de mar.

Por Nicolly C. Barros, Estudante de Psicologia e Pesquisadora


Especialista em processos organizacionais e saúde mental, focada na humanização das relações de trabalho e no equilíbrio entre produtividade e bem-estar subjetivo.



Introdução


O controle de ponto é uma ferramenta fundamental para a gestão de pessoas, garantindo a conformidade com a legislação trabalhista atual. Seu uso ajuda a manter a qualidade e a melhorar os processos de trabalho dos colaboradores. Quando implementado corretamente, transforma-se em um valioso parceiro estratégico para o departamento de Recursos Humanos e, principalmente, para a empresa, ao contribuir diretamente para o bem-estar e a saúde mental dos trabalhadores.


Nesse cenário, é essencial entender a conexão entre saúde mental e o trabalho, especialmente considerando os altos níveis de estresse, casos de burnout e licenças por motivos emocionais que marcam os dias de hoje. Para que as empresas possam promover um ambiente de trabalho saudável, equilibrado e produtivo, essa compreensão é essencial.



O que é o controle de ponto?


O controle de ponto surgiu no final do século XIX durante a Revolução Industrial, um fator histórico relevante no qual modificou mundialmente as formas de trabalho artesanais para industriais. Sua criação tinha como objetivo central suprir as necessidades de competência produtiva e de segurança jurídica, além de otimizar o tempo dentro dos processos de produção.


No âmbito da psicologia, principalmente nas áreas organizacionais e sociais, o surgimento deste controle vai além de uma simples ferramenta administrativa, pois seu surgimento tem como consequência mudanças relacionadas ao comportamento, percepção de tempo, na motivação e confiança dos sujeitos inseridos no cenário profissional.



A saúde mental no trabalho


A saúde mental no ambiente corporativo passou de ser apenas um tema secundário e tornou-se o alicerce da sustentabilidade organizacional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos mentais como a ansiedade, e principalmente o Burnout, são considerados fenômenos ocupacionais que reverberam as consequências de um espaço empresarial coercitivo.


Com a aceleração tecnológica, o cenário contemporâneo é marcado por uma cultura de produtividade, e os limites entre a vida pessoal e profissional acabam definindo a fronteira de sucesso ou colapso. Um ambiente de trabalho psicologicamente saudável deve basear-se na segurança psicológica e na autenticidade, que eventualmente auxiliam na produtividade e alcançam as expectativas organizacionais.




A relação entre Homem X Trabalho


A forma como os seres humanos lidam com o trabalho tem um longo processo histórico transformador, o que era apenas para sobrevivência se desenvolveu para uma questão de propósito e construção de identidade social. Viktor Frankl, em sua obra “Em busca de Sentido” (2016), traz à tona que o trabalho para os seres humanos é uma das três principais vias para encontrar o sentido na vida (além do amor e do sofrimento). O trabalho permite que o homem contribua com algo único para si e para a sociedade, elaborando um sentido em sua existência.


Dessa forma, torna-se fundamental que o indivíduo mantenha o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, desempenhando suas atividades com qualidade e eficiência, sem negligenciar o descanso necessário à preservação da saúde e da qualidade de vida. Nesse contexto, o uso adequado do controle de ponto configura-se como um instrumento relevante para a promoção desse equilíbrio.





Conclusão


O controle de ponto vai além do mero cumprimento legal. Quando aplicado de forma ética e sob uma ótica de gestão humanizada, converte-se em um alicerce para a saúde mental. Ao reconhecer o colaborador como peça fundamental da organização e assegurar seus direitos trabalhistas, a empresa reafirma o valor do indivíduo para além do cargo, colhendo resultados sólidos a longo prazo.



Referências


FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Tradução de Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. 40. ed. Petrópolis: Vozes, 2016.


TONETTO, A. M. et al.. Psicologia organizacional e do trabalho no Brasil: desenvolvimento científico contemporâneo. Psicologia & Sociedade, v. 20, n. 2, p. 165–173, maio de 2008.


BENDASSOLLI, Pedro F.; GUEDES GONDIM, Sônia Maria. Significados, sentidos e função psicológica do trabalho. Av. Psicol. Latino. , Bogotá, v. 1, pág. 131-147, abril de 2014.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Saúde mental no trabalho, setembro de 2024.


AMADOR, Fernanda Spanier. Psicologia, Trabalho e Gestão?. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro , v. 69, n. 2, p. 21-33, 2017.


SENADO FEDERAL, CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO – CLT.


VIEIRA, ISABELA e RUSSO, JANE ARAUJO Burnout e estresse. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 2019.


VASCONCELOS, A. DE .; FARIA, J. H. DE .. Saúde mental no trabalho: contradições e limites. Psicologia & Sociedade, v. 20, n. 3, 2008.

 
 
 

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